Jornal da Tarde - Classificado JT Imóveis

Matéria do dia 19/04/06

 

 

 

Classe média dá adeus ao aluguel

Com o aumento da oferta de créditos, famílias com renda até R$ 3,9 mil

trocam aluguel por prestações. "É um investimento no que é nosso",

diz rapaz que comprou apartamento em São Bernardo

 

 

"Aproveitei a baixa dos juros que

a gente não sabe até quando vai",

diz Renato Oliveira (na foto, com

a mulher Juliana).

O recente aumento da oferta de linhas de financiamento e conseqüente melhora nas condições de prazos e juros - tanto em bancos públicos como privados - tem estimulado a classe média a comprar. Quando notam a diferença entre o valor da prestação de um financiamento e o que pagam de aluguel, muitas famílias se encorajam a assumir a dívida a longo prazo para adquirir seu primeiro imóvel. "Vale a pena, é um investimento no que é nosso. Não estou jogando dinheiro fora", afirma o assistente de vendas Renato Oliveira. Ele comprou um apartamento em São Bernardo do Campo por R$ 80 mil. Calcula que suas prestações ficam entre R$ 100 e R$ 150 acima do aluguel de um imóvel equivalente na região.

 

Antes de assinar o contrato com o Banco Real, do qual é correntista, Oliveira pesquisou bastante. "Procurei vários bancos, mas eles ofereciam juros baixos apenas nos primeiros três anos", diz. Na Caixa Econômica Federal, onde esperava encontrar taxas menores, o imóvel foi avaliado acima do valor de compra, o que aumentará os juros anuais de 8,16% para 10,16%. No Real consegui 9% ao ano por todo o período contratado: 15 anos. Como entrada, ofereceu o que tinha na conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e mais recursos próprios, que somaram 30% do valor do imóvel. O restante foi financiado. O processo foi rápido. "Estou bastante satisfeito". Para Oliveira não havia melhor momento para realizar o sonho. "Casei, tinha de mudar de casa, e aproveitei a baixa dos juros que a gente não sabe até quando vai".

De Casa Nova

 

A funcionária pública Floriza Aparecida da Silva não esperava tão cedo ter sua casa própria no Butantã.  "Na minha situação, achei que no máximo ia conseguir num bairro muito mais distante", diz. Por seis anos, morou de aluguel. Só pensou em se mudar depois que o proprietário da casa onde morava fez reformas que ela não aprovou. Antes de alugar outro imóvel, quis checar se comprar estava ao seu alcance. E estava. "Tentamos pela Caixa (federal), mas deu problema na documentação do dono e o prazo da carta de crédito venceu".

 

Mesmo assim, não desistiu. Descobriu que a Nossa Caixa também oferece crédito. "A gente tinha na cabeça que só a federal financiava", conta. Além disso, o banco oferece um linha de crédito especial para funcionários estaduais, a 7% de juros ao ano. Como entrada aos R$ 75 mil, Floriza usou a conta do FGTS mais recursos próprios. Restaram R$ 51 mil, que financiou em 15 anos. O professor universitário e economista Rodrigues Melo também pesquisou antes de financiar R$ 30 mi que faltavam para a compra de um apartamento de R$ 180 mil, na Pompéia. "Pesquisei na Caixa, Itaú e Santander Banespa", conta. "Escolhi o Santander porque me ofereceu juros de 10,9% ao ano, no prazo de 10 anos que eu desejava". O professor explica que o processo foi rápido. "Entrei com o pedido em janeiro e em menos de 40 dias o crédito foi aprovado". Ele usou poupança e sua conta individual do FGTS para completar a compra.

 

Correção

 

Os juros para quem ganha entre R$ 300,01 e R$ 1,5 mil são de 6% ao ano na Carta de Crédito individual FGTS.