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O Estado de São Paulo - ECONOMIA E NEGÓCIOS Matéria do dia 03/04/06 |
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CONSTRUÇÃO CIVIL PREVÊ RETOMADA COM INVESTIMENTO DE R$ 80 BILHÕES. Total esperado este ano para obras públicas e crédito para habitação é mais que o triplo do investido em 2005. |
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A construção civil deve voltar a crescer com força este ano, depois do desempenho medíocre em 2005. A estimativa dos empresários do setor é de que os investimentos em obras públicas e o crédito para habitação cheguem a R$ 80 bilhões, mais que o triplo do valor desembolsado no ano passado - ao redor de R$ 25 bilhões. Só dos cofres do governo federal sairiam cerca de R$ 29 bilhões. "Se metade disso for aplicado, já será bem mais do que o ano passado", diz João Carlos Robusti, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). Sua expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresça 5,1% ante 1,3% em 2005. As construtoras já sentiram a melhora nos negócios. Pela primeira vez desde fevereiro de 2002, o indicador de desempenho das empresas da construção, calculado trimestralmente pelo SindusCon e pela GV consult, empresa de pesquisas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou alta significativa: numa escala de 0 a 100, o índice chegou a 43,4, o que representou um salto de 14% em relação às sondagens de novembro e fevereiro de 2005. Os dados referem-se aos três meses anteriores à realização da pesquisa, concluída em fevereiro. Até então, o indicador estava estagnado. Foram entrevistadas 260 empresas. Outro dado da pesquisa aponta para a mesma direção. O indicador de perspectiva de desempenho futuro das empresas cresceu 9% e 13,5%, em relação às pesquisas de novembro e fevereiro do ano passado, respectivamente. Além desse salto, o indicador atingiu 50,2. "Mais do que uma tendência, a sondagem mostrou que os empresários não estão pessimistas com as perspectivas de suas empresas", observa o presidente do SindusCon. Os números acima de 50 podem ser interpretados como desempenho favorável.
Essas melhoras vieram em linha com outro indicador importante para as construtoras. O índice de dificuldades financeiras das empresas caiu 3% em relação à pesquisa de novembro e 8% na comparação com a de fevereiro de 2005. "O ano passado foi muito fraco para o nosso segmento, mas o mercado começou a melhorar já a partir de outubro", diz José Ross Tarifa, sócio majoritário da Construtora Tarjab, que atua no ramo imobiliário. Tanto que a empresa tem a perspectiva de dobrar o faturamento de R$ 40 milhões em 2005 para R$ 80 milhões este ano. "Vamos crescer bem acima da média do mercado, porque fomos precavidos e compramos o máximo de terrenos antecipadamente. |
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ÍNDICE DE DIFICULDADES FINANCEIRAS DAS EMPRESAS CAIU 3% |
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Vende mais que tem mais produto para oferecer ao mercado. hoje, muitas construtoras têm dinheiro mas não estão conseguindo comprar o terreno, por causa das dificuldades impostas pela Lei de Zoneamento da cidade de São Paulo", explica Tarifa. um dos principais problemas é que, com a mesma metragem de terreno, hoje as construções podem ter em média só a metade da área antes permitida. "O custo do terreno, que representava 12% do valor de venda do empreendimento, dobrou. A situação fica complicada porque há dificuldade terrível de encontrar áreas grandes disponíveis na cidade." Além de crédito farto no mercado, os bancos passaram a disputar a preferência dos futuros mutuários, facilitando o financiamento para a compra da casa própria. Tanto que já se pode financiar um imóvel em até 20 anos pagando parcelas mensais fixas, com juros prefixados, o que dá segurança para o comprador avaliar e a prestação caberá no seu bolso. Entre recursos de caderneta de poupança e do Fundo de garantia do Tempo de Serviço (FGTS), os bancos privados e a Caixa Econômica Federal devem oferecer R$ 18,7 bilhões para financiamento imobiliário em 2006. Na BKO Engenharia e Comércio, a velocidade de vendas de imóveis já cresceu 30% desde dezembro do ano passado. De acordo com Maurício Lima Bianchi, diretor-técnico da empresa, a expectativa desse indicador chegue a 40% ao longo do ano. "Se a velocidade fosse de 5% ao mês, em 20 meses venderia todo o estoque. Mas, se ela aumentasse para 10%, precisaria de apenas 10 meses." No setor de obras públicas e de investimentos industriais, as perspectivas também são favoráveis, apesar das restrições provocadas pelo impacto das altas taxas de juros sobre a dívida do governo, que já passa de R$ 1 trilhão. A Construcap, que em 2005 faturou R$ 330 milhões, prevê receitas de R$ 500 milhões para este ano. "As novas contratações não crescem em ritmo intenso, mas temos uma carteira de obras que vão além do próximo ano, principalmente na área de infra-estrutura", diz Eduardo Capobianco, vice-presidente da Construcap. |